O que é?

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O CANCRO

 

Cancro, é uma doença caracterizada por uma população de células que cresce e se divide sem respeitar os limites normais, invade e destrói tecidos adjacentes, e pode se espalhar para lugares distantes no corpo, através de um processo chamado metástase. Estas propriedades malignas do cancro o diferenciam dos tumores benignos, que são auto-limitados em seu crescimento e não invadem tecidos adjacentes (embora alguns tumores benignos sejam capazes de se tornarem malignos). O cancro pode afetar pessoas de todas as idades, mas o risco para a maioria dos tipos de cancro aumenta com o acréscimo da idade. O cancro causa cerca de 13% de todas as mortes no mundo, sendo o cancro de pulmão, estômago, fígado, cólon e mama  que mais matam.

Médicos do Egito antigo (3000 a.C.) registaram doenças que, dadas suas características, provavelmente podiam ser classificadas como cancro. Hipócrates (377 a.C.) também descreveu enfermidades que se assemelhavam ao cancro de estômago, reto, mama, útero, pele e outros órgãos. Portanto, a presença do cancro na humanidade já é conhecida há milénios. No entanto, registos que designam a causa das mortes como cancro passaram a existir na Europa apenas a partir do século XVIII. Desde então, observou-se o aumento constante nas taxas de mortalidade por cancro, que parecem acentuar-se após o século XIX, com a chegada da industrialização.

Quase todos os cancros são causados por anomalias no material genético de células transformadas. Estas anomalias podem ser resultado dos efeitos de carcinomas, como o tabagismo, radiação, substâncias químicas ou agentes infecciosos. Outros tipos de anormalidades genéticas podem ser adquiridas através de erros na replicação do ADN, ou são herdadas, e consequentemente presente em todas as células ao nascimento. As interações complexas entre carcinomas e o genoma hospedeiro podem explicar porque somente alguns desenvolvem cancro após a exposição a um carcinoma conhecido. Novos aspetos da genética da patogénese do cancro, como a metilação do ADN e os microRNAs estão cada vez mais sendo reconhecidos como importantes para o processo.

As anomalias genéticas encontradas no cancro afetam tipicamente duas classes gerais de genes. Os genes promotores de cancro, oncogenes, estão geralmente ativados nas células cancerígenas, fornecendo a estas células novas propriedades, como o crescimento e divisão hiperativa, proteção contra morte celular programada, perda do respeito aos limites teciduais normais e a habilidade de se tornarem estáveis em diversos ambientes teciduais. Os genes supressores de tumor estão geralmente inativados nas células cancerígenas, resultando na perda das funções normais destas células, como uma replicação de ADN acurada, controle sobre o ciclo celular, orientação e aderência nos tecidos e interação com as células protetoras do sistema imune.

O cancro é geralmente classificado de acordo com o tecido de qual as células cancerígenas se originaram, assim como o tipo normal de célula com que mais se parecem. Um diagnóstico definitivo geralmente requer examinação histológica da biópsia do tecido por um patologista, embora as indicações iniciais da malignidade podem ser os sintomas ou anormalidades nas imagens radiográficas. A maioria pode ser tratada e alguns curados, dependendo do tipo específico, localização e estadiamento. Uma vez diagnosticado, o cancro geralmente é tratado com uma combinação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Com o desenvolvimento das pesquisas, os tratamentos estão se tornando cada vez mais específicos para as diferentes variedades do cancro. Ultimamente tem havido um progresso significativo no desenvolvimento de medicamentos de terapia específica que agem especificamente em anomalias moleculares detetáveis em certos tumores, minimizando o dano às células normais. O prognóstico para os pacientes com cancro é muito influenciado pelo tipo de cancro, assim como o estadiamento, a extensão da doença. Além disso, a graduação histológica e a presença de marcadores moleculares específicos podem também ser úteis em estabelecer o prognóstico, assim como em determinar tratamentos personalizados.

 


 

Índice

1 Etimologia

2 Classificação

2.1 Nomenclatura

2.2 Tumores em Órgãos Específicos

2.3 Cancros da Vida Adulta

2.4 Cancro em crianças

3 Sinais e sintomas

4 Diagnóstico

4.1 Investigação

4.2 Biópsia

5 Causas

5.1 Fatores desencadeantes

5.2 Cancro como doença genética

5.3 ADN e mutações

5.4 Causas das mutações

5.5 Genes tipicamente mutados no Cancro

6 Progressão

6.1 Anatomia patológica

6.2 Neoplasia e cancro

6.3 Progressão entre os órgãos

6.3.1 Estômago

6.3.2 Pele

6.3.3 Colo do útero

6.3.4 Próstata

6.3.5 Pulmão

6.3.6 Cólon e Reto

6.3.7 Mama

7 Tratamento

7.1 Cirurgia

7.2 Quimioterapia

7.3 Radioterapia

7.4 Terapia hormonal

7.5 Novas técnicas

7.6 Terapias alternativas

8 Prognóstico

9 Prevenção

9.1 Exames genéticos

9.2 Cura

9.3 Vacinação

10 Epidemiologia

11 Ver também

12 Notas

13 Ligações externas


 Etimologia

"Cancro" é oriundo do latim cancru

 

Classificação


Nomenclatura

  • Tumor é um termo genérico que indica um aumento anormal de uma parte ou da totalidade de um tecido. pode ser originado por um processo inflamatório (sinais de Celsus), por uma neoplasia benigna , por um quisto ou por uma neoplasia maligna (cancro).
  • Cancro é um conjunto de células anormais que se formam num determinado sítio (por exemplo: mama) e onde criam metástases para várias partes do corpo. O cancro apresenta quatro estágios. É uma doença a nível celular em que a célula sofre mutações ao nível do ácido desoxirribonucleico, com tendência a metástase, através do sangue. Pode ser um lipossarcoma (morfologia semelhante aos adipócitos); fibrossarcoma (semelhante a fibrocitos); rabdomiossarcoma (músculo esquelético) ou leiomiossarcoma (músculo liso).
  • Tumores de células epiteliais são carcinomas: adenocarcinomas se têm morfologia glandular, carcinomas epidermoides (ou de células escamosas) se são constituídos de células semelhantes às da pele, com queratina; carcinoma hepatocelular, carcinoma de células renais.
  • Linfomas e leucemias são tumores das células da linfa(a nível de glóbulos brancos ou leucócitos) e sangue (a nível de glóbulos vermelhos ou hemácias), as quais têm origem na medula óssea. Se a maioria das células neoplásicas se concentra em órgãos linfoides são linfomas, se estão na medula óssea são leucemias.
  • De células germinativas, como teratoma seminoma e outros (ver tumores do ovário e tumores do testículo).
  • De células neuro endócrinas: os tumores carcinoides.
  • De células dos endotélios: hemangiossarcomas (vasos sanguíneos), linfangiossarcomas (vasos linfáticos), colangiossarcomas (vasos biliares)

Tumores em Órgãos Específicos

  • Melanoma maligno - neoplasia invasiva dos melanócitos da pele.
  • Tumor da tiroide - neoplasias das células da glândula Tiroide/Tireoide.

Cancros da Vida Adulta

Estatísticas~~~

Cancro em crianças

O cancro também ocorre em crianças jovens e adolescentes, mas é raro. Alguns estudos concluíram que cancros pediátricos, especialmente leucemia, estão em tendência de aumento da incidência.

A idade do pico de incidência de cancro em crianças ocorre durante o primeiro ano de vida. Leucemia (geralmente leucemia linfoblástica aguda) é a forma maligna infantil mais comum (trinta por cento), seguida pelos do sistema nervoso central e neuroblastoma. Também são presentes o tumor de Wilms, linfomas, rabdomiosarcoma (surgindo nos músculos), retinoblastoma, osteossarcoma e sarcoma de Ewing. Teratoma é o tumor mais comum nesta faixa etária, mas a maioria dos teratomas são cirurgicamente removidos enquanto ainda são benignos.

Os meninos e meninas possuem essencialmente as mesmas taxas de incidência, mas crianças brancas possuem taxas de cancro substancialmente maiores do que crianças negras para a maioria dos tipos de cancro. A sobrevivência das crianças é muito boa para neuroblastoma, tumor de Wilms e retinoblastoma e para leucemia (oitenta por cento), mas não para a maioria dos outros tipos de cancro.

 

Sinais e sintomas


Células cancerosas.

Basicamente, os sinais e sintomas do cancro podem ser divididos em três grupos:

  • Locais: caroços ou inchaços não-usuais (tumor), hemorragia (sangramento), dor e/ou ulceração. A compressão dos tecidos circundantes no fígado pode causar sintomas como icterícia.
  • De metástase: linfonodos aumentados, tosse e hemoptise, hepatomegalia (fígado aumentado), dor óssea, fratura de ossos afetados e sintomas neurológicos. Embora o cancro avançado possa causar dor, ela geralmente não é o primeiro sintoma.
  • Sistémicos: perda de peso (perda da massa muscular), falta de apetite]] e caquexia (cansaço), transpiração excessiva (suor noturno), anemia e, em cerca de 10% dos doentes, fenómenos paraneoplásicos específicos, ou seja, condições específicas que ocorrem devido a um cancro ativo, como trombose ou mudanças hormonais.

Cada sintoma na lista acima pode ser causado por diversas condições.O cancro tanto pode ser uma causa comum ou rara para cada item.

Poderá haver ocasionalmente crescimento de massa interna com obstrução de canal natural, como por exemplo os tumores no pescoço que podem causar falta de ar ou dificuldade de deglutição.

 

Diagnóstico


 A maioria dos cancros são inicialmente reconhecidos por causa de seus sintomas e sinais ou através de exames. Nenhum dos dois leva a um diagnóstico definitivo, que geralmente requer a opinião de um patologista.

Investigação

Raio-X de tórax mostrando cancro de pulmão no pulmão esquerdo.

Pessoas com suspeita de cancro são investigadas com exames médicos. Estes geralmente incluem exames de sangue, radiografia, tomografia computadorizada, endoscopia entre outros.

Biopsia

Um cancro pode ser suspeitado devido diversas razões, mas o diagnóstico definitivo da maioria dos casos malignos deve ser confirmado através de exame histológico das células cancerosas por um patologista. O tecido pode ser obtido através de uma biópsia ou cirurgia. Muitas biópsias (como aquelas da pele, mama ou fígado) podem ser feitas em um consultório médico. Biópsias em outros órgãos são realizadas sob anestesia e requerem cirurgia em uma sala de operação.

O diagnóstico do tecido indica o tipo de célula que está proliferando, sua graduação histológica e outras características do tumor. Toda esta informação reunida é útil para avaliar o prognóstico do paciente e escolher o melhor tratamento. A citogenética e a imuno-histoquímica podem fornecer informações sobre o comportamento futuro do cancro (prognóstico) e melhor tratamento.

 

Causas


Carcinogénese

Fatores desencadeantes

Fatores que aumentam o risco de cancro são vários e incluem a exposição excessiva à radiação solar (cancros da pele), alguns vírus (cancro do pénis, colo do útero, alguns linfomas). No entanto as causas preveníveis mais importantes do cancro são o tabagismo (cancros do pulmão, cancro da bexiga, cancro de laringe, cancros da cavidade oral) e o alcoolismo (cancro do estômago e do pâncreas).

A alimentação com excesso de gordura também parece ser um factor de risco importante para muitos cancros.

Cancro como doença genética

O cancro é fundamentalmente uma doença genética. Em células normais, o crescimento celular é controlado por diversos fatores, ou hormonas, libertadas por células adjacentes ou distantes. Deste modo um tecido consegue crescer ou atrofiar em resposta a demandas aumentadas ou diminuídas da sua função.

Há vários fatores que promovem o crescimento e multiplicação celulares, sistémicos como a hormona do crescimento, hormonas da tiroide (t3/t4), insulina, e fatores locais como citocinas.

A progressão do cancro não é mais que a inativação de determinados genes e a híper-expressão de outros, dando origem a células largamente independentes da regulação local e central do organismo, que se dividem sem inibição. Outras mutações noutros genes poderão então dar às células neoplásicas novas capacidades invasivas, já que todas as células do organismo possuem o genoma completo e portanto a capacidade de produzir qualquer proteína, desde que os genes correspondentes sejam ativados (neste caso por mutação). Assim, uma célula da cartilagem (condrócito) neoplásica pode sofrer mutação que lhe permite formar proteínas que provocam a formação de novos vasos sanguíneos, apesar de este gene nunca ser expressado na célula normal.

Várias síndromes de cancro familiares são causados pelo facto de que nessas famílias algum gene importante na progressão ou iniciação tumoral já estar mutado. Mais frequentemente estão mutados os genes de supressão tumoral (ver adiante) em que são necessárias duas mutações em ambas as cópias (uma do pai, outra da mãe) para haver inativação. Se o indivíduo herdar do pai uma cópia defeituosa, é muito mais fácil ocorrer apenas a mutação na cópia materna que nos dois alelos.

Um dos factos mais intrigantes em oncologia é a restrição de determinadas mutações a determinados tipos de cancro. Quase todos os cancros têm apenas uma, duas ou três vias de progressão com mutações de determinados genes, enquanto noutros órgãos a progressão se dá por mutações em genes diferentes. Este facto será talvez porque em determinados tecidos funcionam principalmente determinados oncogenes e genes supressores tumorais, e não outros, mas a causa exata permanece obscura.

ADN e mutações

A atividade de cada célula ou tecido é dirigida pelo seu ADN. Ao longo da embriogénese, à medida que células cada vez mais diferenciadas se originam do zigoto, alguns genes tornam-se ativos enquanto outros são silenciados, de acordo com a função final da célula. Mas cada célula mantém sempre uma cópia do genoma completo no seu núcleo. As cadeias de ADN são frágeis e facilmente são modificadas por químicos ou radiação. Existem contudo proteínas reparadoras de erros do ADN que reduzem a taxa de erros ou mutações a um mínimo. A maior quantidade de erros ocorre aquando da divisão celular, devido à necessidade de duplicar cada cromossoma, de modo a que cada célula filha tenha uma cópia. Continuam, contudo a ser feitos alguns erros, uma simples base movida já constitui uma mutação. Ao longo da vida, milhões de células do nosso corpo sofrem pequenas mutações, essas células normalmente se auto-destroem ordenadas pela atividade de proteínas geradas a partir de genes anti tumorais do ADN como por exemplo o p53.

Nenhuma célula se torna neoplásica apenas com uma mutação. Normalmente são necessárias várias para haver desregulação do ciclo celular e proliferação excessiva, e ainda mais outras para que haja invasão dos órgãos adjacentes ou distantes.

A mutação não-letal do ADN constitui a origem do cancro. Qualquer célula se for sujeita a lesões extensas no seu ADN morre, uma vez que genes fundamentais à sua sobrevivência serão lesados. As células estão mais vulneráveis às mutações aquando da divisão celular com duplicação do ADN. É esta a base da radioterapia: se as células tumorais se dividem muito mais rápido serão mais vulneráveis à radiação letal. Contudo a radiação ou outros insultos em pequenas quantidades menos provavelmente danificarão genes fundamentais, mas com igual probabilidade afetarão genes que estejam envolvidos na regulação da proliferação celular.

O ADN é um polímero com quatro tipos diferentes de bases: adenina, timina, guanina e citosina. A série de bases é traduzida em sequências proteicas de acordo com os tipos de bases (cada aminoácido corresponde a uma série de três bases). Diferentes sequências de aminoácidos com diferentes propriedades químicas levam a diferentes comportamentos das proteínas. A substituição ou eliminação de uma única base pode levar a proteínas diferentes, mais quantidade produzida de uma proteína ou silenciamento do gene.

Outros tipos de mutações são as quebras cromossómicas, que são reparadas por vezes com troca dos fragmentos quebrados em cromossomas diferentes do habitual, com efeitos a nível da expressão génica.

Existem várias proteínas que corrigem os erros no ADN. Se os genes destas proteínas sofrerem mutações, elas podem ser inutilizadas, ocorrendo maior taxa de mutações subsequente- fenómeno denominado instabilidade genética.

Causas das mutações

A mutação do ADN pode ser devida a vários fatores:

  1. Radicais livres: radicais livres são moléculas de 02. O corpo humano utiliza apenas um átomo de oxigénio da molécula e o átomo restante (chamado de radical livre) leva a oxidação às células, mais especificamente no ADN. Isso leva a mutações e à oxidação da célula.
  2. Radiação: a radiação UV provoca diretamente danos do ADN, com formação de dímeros de bases. Estes são corrigidos sem problemas a maioria das vezes, mas podem ser reparados erroneamente com substituição por uma base diferente. A radiação de alta energia (raios gama, beta e alfa) também causam mutações. A origem mais significativa desta radiação não são as centrais ou acidentes nucleares, mas sim a radiação cósmica, partículas geradas em buracos negros ou supernovas que viajam milhares de anos-luz acabando por causar cancros nos seres-vivos da Terra.
  3. Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos: os hidrocarbonetos como aqueles presentes em qualquer tipo de fumo (tabaco principalmente), causam mutações no ADN. São os mais potentes carcinogénicos presentes em significativa concentração nos ambientes humanos.
  4. Outros químicos: por exemplo arilaminas (corante industrial) no cancro da bexiga, aflatoxina (toxina de fungo presente em alguma comida bolorenta) no carcinoma hepatocelular.
  5. Irritação crónica: a irritação crónica com morte e divisão celulares constantes leva a maior taxa de mutações devido à maior probabilidade de erros no ADN quando da sua replicação durante a divisão celular. Por exemplo a hepatite crónica por alcoolismo, a pancreatite crónica por alcoolismo ou a cistite crónica por infeção.
  6. Vírus: alguns causam mutações no ADN ao inserirem o seu genoma no da célula de forma arbitrária, ou ao produzirem proteínas que estimulam a proliferação da célula a partir de oncogenes do genoma do próprio vírus. Alguns exemplos são o vírus Epstein-Barr, que causa a doença do beijo (alguns tipos de linfomas e carcinomas nasofaringeais), Papilomavirus, que causa a verruga e o condiloma acuminado (carcinomas do pénis e colo do útero), HTLV-1 (linfoma de células T), vírus da Hepatite B e C (carcinoma hepatocelular), vírus do sarcoma de Kaposi (um vírus da família do Herpes que causa cancro nos vasos de imunodeprimidos, em especial na SIDA.
  7. Bactérias: a infeção do estômago crónica com Helicobacter pylori predispõe ao desenvolvimento de cancro do estômago e a linfomas associados à mucosa (MALTomas).

De uma forma ou de outra, o tumor é basicamente iniciado quando há um dano no ADN causado por quaisquer dos fatores acima, e que não é reparado por sistemas de reparação de ADN existentes em todas as células, gerando uma mutação. Dependendo do local em que a mutação ocorre na molécula de ADN, este defeito pode causar um desequilíbrio no ciclo celular, desencadeando uma reprodução acelerada e descontrolada de células.

Genes tipicamente mutados no Cancro

Qualquer tumor é constituído pela progénie de uma única célula que acumulou mutações em genes suficientes para evadir os mecanismos anti tumorais e para ganhar autonomia na replicação.

Existem basicamente quatro classes de genes importantes na patogenia do cancro:

  • Oncogenes: são genes que normalmente estão envolvidos na proliferação celular (quando são normais são proto-oncogenes). Se sofrerem mutações que aumentam a sua atividade transformam-se em oncogenes, e aumenta a proliferação celular. Assim por exemplo um recetor ativado por uma hormona de crescimento é um proto- oncogene, mas se o gene desse recetor for mutado de modo a que o recetor passar a estar ativado mesmo sem hormona ligada, é um oncogene e há proliferação independente da hormona. Normalmente basta uma destas mutações numa das duas cópias de cada gene em cada célula para ser eficaz -mecanismo dominante.
    • Alguns exemplos de oncogenes:
      1. MYC: fator de transcrição nuclear pró-proliferativo. Mutação pode aumentar a expressão deste gene e a proliferação.
      2. RET: recetor celular que pode sofrer mutação e tornar-se autónomo^.
      3. RAS (gene): proteína de transdução de sinal proliferativo que se pode tornar autónoma (produzindo continuamente sinal).
  • Genes de supressão tumoral: são genes que suprimem a proliferação caso detetem anormalidades celulares. São necessárias duas mutações que os inativam, uma em cada cópia do gene, já que um gene é capaz de funcionar mesmo se o outro for inativado -mecanismo recessivo.
    • Alguns exemplos:
      1. Recetor do TGF-beta: recetor que inibe o crescimento celular em resposta à citocina TGF-beta.
      2. RB: regula o ciclo celular.
      3. NF1: inibição da trandução de sinal proliferativo pelas RAS.
      4. APC: inibe a transdução do sinal proliferativo.
      5. p53: inibe crescimento e multiplicação celular se detetar danos do ADN. Promove reparação dos danos e caso esta não seja possível, desencadeia a morte celular programada (apoptose).
      6. p16: inibe multiplicação celular de modo relacionado com p53.
  • Genes que regulam a apoptose: genes que promovam a apoptose podem sofrer mutações (em ambos os alelos) inativantes; enquanto genes que inibem a apoptose podem sofrer mutações que os tornam hiperativos.
    • Alguns exemplos:
      1. p53: também pertence a esta classe porque promove a apoptose caso os danos do ADN sejam incorrigíveis.
      2. BCL2: protege a célula da apoptose. Pode sofrer mutação inativante.
      3. BAX: promove a apoptose.
  • Genes da reparação do ADN: se estes genes estiverem inativados, a taxa de mutações passa a ser muito maior, e portanto a probabilidade de haver mutações em outros genes das classes discutidas acima é maior -instabilidade genética.

 

Progressão


 

Exemplo de progressão do câncer/cancro.

Há várias etapas na progressão de um cancro invasivo a partir de uma célula normal, cada etapa correspondendo a novas mutações num subgrupo das células que partilham a mutação anterior:

    1. Proliferação independente: uma célula ganha mecanismos internos de estimulação ao crescimento em vez de responder a hormonas externas (mutação num oncogene, e.g. RAS). Esta célula multiplica-se.
    2. Insensibilidade a fatores inibitórios externos: uma célula das que tinham a mutação 1 sofre duas novas mutações (em ambas as cópias do gene) que a liberta de fatores que inibem a proliferação, como produtos de genes supressores tumorais. Esta célula multiplica-se ainda mais rapidamente.
    3. Evasão de apoptose: uma das células em 2 sofre mutações nos dois genes que levam grande número das suas células-irmãs não mutadas à apoptose (morte celular). Esta célula divide-se na mesma velocidade mas as suas células-filhas sobrevivem em muito maior número.
    4. Defeitos na Reparação do ADN: inativados os genes de reparação de ADN numa célula das de 3. Esta célula divide-se à mesma velocidade mas as suas células filhas acumulam novas mutações muito mais rápido.
    5. Proliferação Ilimitada: uma das células de 4 ganha capacidade de estender os seus telómeros: a sua divisão é ainda mais rápida.
    6. Angiogenese: uma célula de 5 ganha capacidade de secretar proteínas que chamam a criação de novos vasos sanguíneos -menos necrose das suas células filhas devido à isquémia (má irrigação sanguínea de um determinado órgão ou tecido devido a obstrução de vasos e artérias) e novas vias de disseminação.
    7. Habilidade de invasão e metastização: ganho de função de genes que degradam a cápsula (colagenases entre outras enzimas), ganho de função de genes correspondentes a recetores membranares (silenciosos nas células normais progenitoras) que permitem a invasão dos vasos sanguíneos ou linfáticos. Perda da adesividade das células umas às outras (inativação dos genes correspondentes às proteínas ligantes, como as integrinas).
    8. Estabelecimento de células filhas em outros locais do corpo e crescimento de massas neoplásicas nessas localizações- metastização.

Anatomia patológica

O aspeto microscópico das neoplasias malignas é variado. A maioria é pouco diferenciada, ao contrário da maioria dos tumores benignos, ou seja, as células neoplásicas mais malignas têm mais aspeto de células embrionárias sem diferenciação típica ou de diferenciação caótica do que do tecido ordenado de onde provêm (anaplasia). No entanto alguns tipos de cancro podem apresentar aspeto bem diferenciado, por vezes até funcional. Ultimamente a distinção entre neoplasia benigna e maligna só pode ser feita através da deteção de indícios de invasão de outros tecidos. Assim, um tumor que infiltre a sua cápsula (por vezes colorida com tinta da china para mais fácil identificação) será maligno, assim como um tumor não encapsulado que se mistura livremente com o tecido normal. Invasão dos micro vasos sanguíneos e/ou linfáticos por células neoplásicas é considerado prova de invasão e carácter maligno do tumor.

Algumas características gerais que distinguem células neoplásicas provavelmente malignas de células normais ou benignas: pleomorfismo celular (várias formas de células no mesmo tecido); grandes núcleos relativamente ao citoplasma; núcleos com formas diversas; células gigantes com vários núcleos; nucléolos prominentes; mitoses em elevado número; áreas de necrose e/ou apoptose extensas.

Um tumor epitelial ainda que não invasivo, que apresente várias destas características é considerado maligno com elevada probabilidade de invasão subsequente se não for retirado -é um carcinoma in situ.

As indicações da anatomia patológica baseiam-se, mais que em diagnósticos exatos definitivos, em probabilidades de prognóstico de acordo com as características. Estas probabilidades foram determinadas em estudos exaustivos. É mais uma ciência empírica que conhecimento de causas profundas que correlacionem as características ao prognóstico.

Neoplasia e cancro

Carcinogénese

Basalioma.

Os tumores neoplásicos são qualquer massa de células que surge por divisão inapropriada de uma célula mãe original (multiplicação clonal), na qual a expressão dos genes que regulavam essa divisão estão alterados. Cancro é entendido como a grave situação patológica clínica que é gerada por uma neoplasia, a qual é classificada como maligna devido à situação clínica potencialmente fatal que origina.

O tumor maligno ou cancro distingue-se do tumor benigno principalmente porque o primeiro põe a vida do doente em risco mas o segundo geralmente não. A grande maioria dos tumores malignos é invasivo, e é a sua infiltração progressiva de estruturas adjacentes, ou distantes através de metástases que cria disfunções nos órgãos invadidos e reações imunitárias às lesões que levam à insuficiência ou má função de órgãos vitais e à morte. No entanto, nem todos os cancros são invasivos. Alguns tumores são considerados malignos apesar de serem em tudo semelhantes aos benignos porque produzem graves danos pela produção de hormonas (e.g. feocromocitoma), enquanto outros comprimem órgãos devido às limitações ao seu crescimento como tumores do cérebro que não se podem expandir devido ao crânio e acabam comprimindo o cérebro, o que resulta em morte (devido a asfixia após disfunção do sistema respiratório na maioria dos casos).

As neoplasias benignas em geral não se transformam em malignas, apesar de existirem numerosas exceções, e portanto podem ser mantidas no corpo do paciente, mas geralmente recomenda-se a retirada por motivos estéticos.

No entanto em casos raros as neoplasias de comportamento benigno podem levar à morte, se o seu crescimento local, por azar, comprimir mecanicamente uma artéria, veia ou nervo importante, por exemplo.

As células cancerosas podem ainda se soltar do tecido neoplásico original e, através da corrente sanguínea, linfática ou de outros líquidos (peritoneal, pleural) instalar-se em outros órgãos distantes da localização inicial, as metástases. A metastização constitui a fase do cancro cujo tratamento é mais difícil e quando é obtido menos sucesso na recuperação de pacientes. O paciente com cancro deve, sempre que possível, ser operado o mais rapidamente possível para a extração do tecido ou do órgão afetado, seguido de um tratamento de quimioterapia ou radioterapia.

Progressão entre os órgãos

Estômago

Cancro esofágico

O cancro estomacal inicia com o desenvolvimento nas células do epitélio. No segundo estágio o cancro invade o estômago e vai para os gânglios. Afeta a parede gástrica e invadem áreas adjacentes. No último estágio as evidências são apresentadas.

Pele

Cancro de pele

A batimetria do cancro é menor de um milímetro. Quando localizado na área cutânea é maior que dois centímetros. Encontra-se nos gânglios no terceiro estágio. No quarto estágio as evidências são facilmente encontradas.

Colo do útero

Invade o colo pélvico no primeiro estágio. No segundo estágio limita a parede pélvica. No terceiro estágio encontra-se na vagina ou continua na parede pélvica. No último estágio o cancro atinge os órgãos próximos.

Próstata

O órgão produz a enzima PSA. No segundo estágio o cancro apenas fica na próstata. No terceiro estágio fica na cápsula da próstata ou na vesícula seminal. O cancro continua em outros órgãos no quarto estágio.

Pulmão

No primeiro estágio ele é pequeno. No segundo estágio o tumor pulmonar é de três centímetros. No tórax, tem alterações nos linfonodos. No quarto estágio o problema de oncologia atinge o sistema hepático e neurológico.

Cólon e Reto

A parede do reto ou no cólon para as áreas vizinhas. Toma completamente o cólon ou o reto. Espalha-se para órgãos vizinhos. No quarto estágio atinge o fígado, pulmão, cérebro,etc.

Mama

No primeiro estágio o tumor atinge no máximo dois centímetros, invade os nódulos axiliares, atinge os nódulos línfaticos e mamários. No quarto estágio atinge órgãos distantes como ossos, pele, etc.

 

Tratamento


 A dificuldade do tratamento do cancro consiste em fazer a distinção entre as células malignas e as células normais do corpo. Ambas são provenientes da mesma origem e são muito semelhantes, daí não haver reconhecimento significativo por parte do sistema imunitário da ameaça.

Cirurgia

Se a massa for bem delimitada e minimamente invasiva, a resecção cirúrgica é possível, mas já é impossível se o tumor estiver espalhado por todo o corpo, ou em órgãos vitais que não podem ser cortados. Muitas vezes é difícil para o cirurgião determinar a margem em que acaba a neoplasia e começa o tecido normal, correndo o risco de cortar demasiado tecido normal e reduzir a probabilidade de sobrevivência do doente à operação, ou não retirar a massa cancerosa na totalidade, diminuindo a probabilidade de sobrevivência ao cancro.

A cirurgia é então apenas usada no tratamento dos tumores que ainda estão delimitados, por resecção ou retirando o órgão completo (prostectomia no cancro da próstata, mastectomia no da mama). Contudo se o tumor invadir estruturas adjacentes que não podem ser resectadas (e.g. uma artéria importante) o tumor é irressectável.

Quimioterapia

Quimioterapia

Baseia-se no fato de as células tumorais se dividirem muito mais rápido que as células normais. O doente recebe medicamentos (injetáveis; por via oral; em cavidades como a bexiga, o espaço intratecal, o espaço pleural ou o abdómen) que interferem com a síntese do ADN e matam as células em divisão. Contudo, poderão acontecer efeitos secundários (colaterais) naquelas células normais de crescimento rápido, como a mucosa gastrointestinal (diarreia, náuseas, vómitos), folículos pilosos (queda do cabelo) e outros. Mais recentemente, existe uma nova classe de medicamentos chamada de anticorpos monoclonais, que, por terem um alvo molecular específico na célula cancerígena, têm como vantagem serem menos tóxicos para as células normais. Os anticorpos monoclonais podem ser utilizados sozinhos ou em conjunto com as quimioterapias.

Radioterapia

Radioterapia

Também ataca células de crescimento rápido. As células tumorais, como têm défice de proteínas reparadoras do ADN, são mais vulneráveis a doses de radiação de alta energia (raios X e gama). As suas doses letais são mais baixas que as das células normais. No entanto além de efeitos secundários semelhantes aos da quimioterapia, há risco de desenvolvimento de novos tumores, apesar de relativamente pequeno.

Terapia hormonal

Terapia hormonal

O crescimento de alguns cancros pode ser inibido ao se fornecer ou bloquear certos hormónios. Exemplos comuns de tumores sensíveis a hormónios incluem certos tipos de cancro de mama e próstata. Remover ou bloquear o estrógeno ou testosterona é frequentemente um tratamento adicional importante. Em certos cancros, a administração de agonistas hormonais, como progestágenos podem ser benéficos terapeuticamente.

Novas técnicas

Ultimamente têm sido desenvolvidos alguns fármacos específicos que diminuem a atividade de algumas proteínas (traduzidas de oncogenes) cuja alta atividade é importante na proliferação de alguns tipos de cancro.

A leucemia mieloide crónica é inclusivamente curável através da administração desse novo tipo de fármacos. No futuro estes fármacos deverão ser mais relevantes.

A utilização de toxinas acopladas a anticorpos específicos de proteínas membranares comuns na superfície das células do tumor mas não de células normais também tem tido algum sucesso.

Terapias alternativas

Terapias alternativas ou não-ocidentais são frequentemente escolhidas por muitos pacientes cujo prognóstico é sombrio e os custos elevados. No entanto, não há prova alguma de que essas terapias melhorem o prognóstico. Apesar de também não serem geralmente nocivas, elas podem ser efetuadas por quem acreditar paralelamente ao tratamento convencional de opiáceos.

Se for escolha do paciente informado, e apesar de provavelmente não terem nenhum efeito directo, as terapias alternativas poderão ter um efeito placebo, ou seja, o doente acredita que vai melhorar e está comprovado que pacientes mais otimistas e lutadores têm melhor curso da sua doença que os derrotistas. Substituir o tratamento convencional pelo alternativo seria no entanto altamente desaconselhável, já que a medicina moderna já consegue melhorar o prognóstico e até curar muitas formas de cancro, e é impossível dizer ao certo como reagirá um doente à terapia convencional.

Entretanto, devemos pensar sempre no paciente. Se a neoplasia maligna já foi tratada com cirurgia, quimioterapia e radioterapia e não mostrou melhoria, os médicos têm o dever de procurar novas estratégias. Muitos consideram a imunoterapia e a hipertermia como medidas complementares dignas de crédito. Existem muitos trabalhos científicos de bom nível que atestam a eficácia de tais estratégias. Por outro lado, muitas pessoas se curam de tumores usando a fitoterapia. Na verdade muitos medicamentos da medicina convencional foram sintetizados a partir de princípios ativos encontrados no reino vegetal e de uso empírico. Há, ainda, muitos outros que são tratados e curados com estratégias psicoterápicas e até com acupuntura. O paciente tem o direito de escolha e o médico o dever de oferecer alternativas sérias, já estudadas e seguras

 

Prognóstico


 O cancro possui a reputação de ser uma doença mortífera. Enquanto isso é verdade para alguns tipos particulares de câncer, as verdades por trás das conotações históricas do cancro estão cada vez mais sendo superadas pelos avanços no cuidado médico. Alguns tipos de cancro possuem prognóstico que é substancialmente melhor que outras doenças não-malignas como a insuficiência cardíaca e AVC.

Uma doença maligna progressiva e disseminada possui um impacto substancial na qualidade de vida do paciente, e muitos tratamentos de cancro (como a quimioterapia) podem ter efeitos colaterais severos. Nos estágios avançados do câncer, muitos pacientes precisam de cuidado extensivo, afetando membros da família e amigos.

Os pacientes com cancro, pela primeira vez na história da oncologia, estão visivelmente retornando para suas vidas normais. Pacientes estão vivendo mais tempo com a doença persistente, mas silenciada ou mesmo com a completa remissão. As histórias como a de Lance Armstrong, que ganhou o Tour de France após o tratamento de um cancro testicular metastático ou de Tony Snow, que estava trabalhando como secretário de imprensa da Casa Branca dos Estados Unidos apesar de seu cancro de cólon, continuam a ser uma inspiração para pacientes com cancro em todo mundo.

 

Prevenção


 Exames genéticos

O exame genético para pessoas de alto-risco já está disponível para algumas mutações genéticas relacionadas ao câncer. Portadores de mutações genéticas que aumentam o risco de incidência de cancro podem se submeter a uma inspeção mais detalhada, prevenção química ou cirurgias que diminuam o risco. A identificação precoce de um risco genético herdado para o câncer, associada com outras intervenções de prevenção ao cancro como a cirurgia ou inspeções mais detalhadas, pode salvar a vida destas pessoas em alto-risco.

Gene Tipos de câncer Disponibilidade BRCA1, BRCA2 Mama, ovário, pancreático Disponível comercialmente MLH1, MSH2, MSH6, PMS1, PMS2 Cólon, uterino, intestino delgado, estômago, trato urinário Disponível comercialmente

Cura

Recentemente, cientistas da Harvard Medical School, de Boston, divulgaram uma maneira revolucionária na luta contra o cancro.

Segundo o estudo, dirigido por Pier Paolo Pandolfi, em vez de matar células cancerígenas com drogas tóxicas, os cientistas descobriram um caminho molecular que as força a envelhecer e morrer.

As células cancerígenas se espalham e crescem porque podem dividir-se indefinidamente.

A equipa usou para o estudo ratos geneticamente modificados que desenvolveram uma forma de cancro de próstata.

Em alguns deles, os cientistas tornaram inativo o gene Skp2. Quando o rato atingiu seis meses de vida, eles descobriram que os portadores de um gene Skp2 inativo não desenvolveram tumores, ao contrário dos outros ratos da pesquisa.

Quando eles analisaram os tecidos de nódulos linfáticos e da próstata, descobriram que muitas células tinham começado a envelhecer, e também encontraram uma lentidão na divisão de células. Eles obtiveram efeito semelhante quando usaram a droga MLN4924 no bloqueio do Skp2 em culturas de laboratório de células de cancro da próstata.

O estudo em ratos mostrou que o bloqueio de um gene causador do cancro chamado Skp2 forçou células cancerígenas a passar por um processo de envelhecimento conhecido como senescência --o mesmo processo envolvido na ação de livrar o corpo de células danificadas pela luz solar.

A descoberta pode significar uma nova estratégia para o combate ao câncer.

Vacinação

Atualmente existem vacinas para o HPV e o tumor cerebral.

 

Epidemiologia


 Fatores de risco incluem geografia (mais cancro da pele em países tropicais que em nórdicos), etnia, hábitos alimentares, idade avançada e genes hereditários que causam predisposição para o cancro.

Em países desenvolvidos o cancro compete com as doenças cardiovasculares (principalmente enfartes coronários e AVCs) enquanto causa de morte principal. Uma em cada quatro ou cinco pessoas morrerá de cancro nestes países. (2000-2005) nos países do Europa e América do Norte.

  • Cancros mais frequentes no Homem: Carcinoma da Próstata (um terço dos casos), Pulmão (~15%), Cólon e Recto (~10%), Linfomas e leucemias não Hodgkins (~10%), Bexiga (5%), Melanoma maligno (4%), Boca e faringe, Pâncreas, Rim (cada um 2-3%), outros (~20%).
  • Cancros mais mortais no Homem -percentagem das mortes por cancro: Pulmão (~30%), Colon e Reto (~10%), Próstata (10%), Leucemias e Linfomas não Hodgkins (~10%), Pâncreas (5%), Bexiga, Fígado, Rim, Esófago (cada um 2-3%), outros (~20%).
  • Cancros mais frequentes na Mulher: Mama (um terço), Pulmão (~10%), Cólon e Reto (~10%), Útero, Tiroide, Pâncreas, (cada um 2-3%), outros (~20%)
  • Cancros mais mortais na Mulher: Pulmão (~25%), Mama (~15%), Cólon e Reto (~10%), Linfomas e leucemias não Hodgkins (~10%), Pâncreas (~5%), Ovário (~5%), Útero (~4%), outros (~25%). Em Portugal os dados são semelhantes, à exceção do cancro do estômago que é muito mais comum devido a maior prevalência de Helicobacter pylori e alcoolismo. No Brasil e na África as incidências são bastante diferentes. Os cancros do Pulmão e da Bexiga são na sua maioria causados pelo Tabaco. Uma em oito mulheres terá cancro da mama, no entanto a maioria dos casos é diagnosticada num estágio curável.

 

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O que é?

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O CANCRO

 

Cancro, é uma doença caracterizada por uma população de células que cresce e se divide sem respeitar os limites normais, invade e destrói tecidos adjacentes, e pode se espalhar para lugares distantes no corpo, através de um processo chamado metástase. Estas propriedades malignas do cancro o diferenciam dos tumores benignos, que são auto-limitados em seu crescimento e não invadem tecidos adjacentes (embora alguns tumores benignos sejam capazes de se tornarem malignos). O cancro pode afetar pessoas de todas as idades, mas o risco para a maioria dos tipos de cancro aumenta com o acréscimo da idade. O cancro causa cerca de 13% de todas as mortes no mundo, sendo o cancro de pulmão, estômago, fígado, cólon e mama  que mais matam.

Médicos do Egito antigo (3000 a.C.) registaram doenças que, dadas suas características, provavelmente podiam ser classificadas como cancro. Hipócrates (377 a.C.) também descreveu enfermidades que se assemelhavam ao cancro de estômago, reto, mama, útero, pele e outros órgãos. Portanto, a presença do cancro na humanidade já é conhecida há milénios. No entanto, registos que designam a causa das mortes como cancro passaram a existir na Europa apenas a partir do século XVIII. Desde então, observou-se o aumento constante nas taxas de mortalidade por cancro, que parecem acentuar-se após o século XIX, com a chegada da industrialização.

Quase todos os cancros são causados por anomalias no material genético de células transformadas. Estas anomalias podem ser resultado dos efeitos de carcinomas, como o tabagismo, radiação, substâncias químicas ou agentes infecciosos. Outros tipos de anormalidades genéticas podem ser adquiridas através de erros na replicação do ADN, ou são herdadas, e consequentemente presente em todas as células ao nascimento. As interações complexas entre carcinomas e o genoma hospedeiro podem explicar porque somente alguns desenvolvem cancro após a exposição a um carcinoma conhecido. Novos aspetos da genética da patogénese do cancro, como a metilação do ADN e os microRNAs estão cada vez mais sendo reconhecidos como importantes para o processo.

As anomalias genéticas encontradas no cancro afetam tipicamente duas classes gerais de genes. Os genes promotores de cancro, oncogenes, estão geralmente ativados nas células cancerígenas, fornecendo a estas células novas propriedades, como o crescimento e divisão hiperativa, proteção contra morte celular programada, perda do respeito aos limites teciduais normais e a habilidade de se tornarem estáveis em diversos ambientes teciduais. Os genes supressores de tumor estão geralmente inativados nas células cancerígenas, resultando na perda das funções normais destas células, como uma replicação de ADN acurada, controle sobre o ciclo celular, orientação e aderência nos tecidos e interação com as células protetoras do sistema imune.

O cancro é geralmente classificado de acordo com o tecido de qual as células cancerígenas se originaram, assim como o tipo normal de célula com que mais se parecem. Um diagnóstico definitivo geralmente requer examinação histológica da biópsia do tecido por um patologista, embora as indicações iniciais da malignidade podem ser os sintomas ou anormalidades nas imagens radiográficas. A maioria pode ser tratada e alguns curados, dependendo do tipo específico, localização e estadiamento. Uma vez diagnosticado, o cancro geralmente é tratado com uma combinação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Com o desenvolvimento das pesquisas, os tratamentos estão se tornando cada vez mais específicos para as diferentes variedades do cancro. Ultimamente tem havido um progresso significativo no desenvolvimento de medicamentos de terapia específica que agem especificamente em anomalias moleculares detetáveis em certos tumores, minimizando o dano às células normais. O prognóstico para os pacientes com cancro é muito influenciado pelo tipo de cancro, assim como o estadiamento, a extensão da doença. Além disso, a graduação histológica e a presença de marcadores moleculares específicos podem também ser úteis em estabelecer o prognóstico, assim como em determinar tratamentos personalizados.

 


 

Índice

1 Etimologia

2 Classificação

2.1 Nomenclatura

2.2 Tumores em Órgãos Específicos

2.3 Cancros da Vida Adulta

2.4 Cancro em crianças

3 Sinais e sintomas

4 Diagnóstico

4.1 Investigação

4.2 Biópsia

5 Causas

5.1 Fatores desencadeantes

5.2 Cancro como doença genética

5.3 ADN e mutações

5.4 Causas das mutações

5.5 Genes tipicamente mutados no Cancro

6 Progressão

6.1 Anatomia patológica

6.2 Neoplasia e cancro

6.3 Progressão entre os órgãos

6.3.1 Estômago

6.3.2 Pele

6.3.3 Colo do útero

6.3.4 Próstata

6.3.5 Pulmão

6.3.6 Cólon e Reto

6.3.7 Mama

7 Tratamento

7.1 Cirurgia

7.2 Quimioterapia

7.3 Radioterapia

7.4 Terapia hormonal

7.5 Novas técnicas

7.6 Terapias alternativas

8 Prognóstico

9 Prevenção

9.1 Exames genéticos

9.2 Cura

9.3 Vacinação

10 Epidemiologia

11 Ver também

12 Notas

13 Ligações externas


 Etimologia

"Cancro" é oriundo do latim cancru

 

Classificação


Nomenclatura

  • Tumor é um termo genérico que indica um aumento anormal de uma parte ou da totalidade de um tecido. pode ser originado por um processo inflamatório (sinais de Celsus), por uma neoplasia benigna , por um quisto ou por uma neoplasia maligna (cancro).
  • Cancro é um conjunto de células anormais que se formam num determinado sítio (por exemplo: mama) e onde criam metástases para várias partes do corpo. O cancro apresenta quatro estágios. É uma doença a nível celular em que a célula sofre mutações ao nível do ácido desoxirribonucleico, com tendência a metástase, através do sangue. Pode ser um lipossarcoma (morfologia semelhante aos adipócitos); fibrossarcoma (semelhante a fibrocitos); rabdomiossarcoma (músculo esquelético) ou leiomiossarcoma (músculo liso).
  • Tumores de células epiteliais são carcinomas: adenocarcinomas se têm morfologia glandular, carcinomas epidermoides (ou de células escamosas) se são constituídos de células semelhantes às da pele, com queratina; carcinoma hepatocelular, carcinoma de células renais.
  • Linfomas e leucemias são tumores das células da linfa(a nível de glóbulos brancos ou leucócitos) e sangue (a nível de glóbulos vermelhos ou hemácias), as quais têm origem na medula óssea. Se a maioria das células neoplásicas se concentra em órgãos linfoides são linfomas, se estão na medula óssea são leucemias.
  • De células germinativas, como teratoma seminoma e outros (ver tumores do ovário e tumores do testículo).
  • De células neuro endócrinas: os tumores carcinoides.
  • De células dos endotélios: hemangiossarcomas (vasos sanguíneos), linfangiossarcomas (vasos linfáticos), colangiossarcomas (vasos biliares)

Tumores em Órgãos Específicos

  • Melanoma maligno - neoplasia invasiva dos melanócitos da pele.
  • Tumor da tiroide - neoplasias das células da glândula Tiroide/Tireoide.

Cancros da Vida Adulta

Estatísticas~~~

Cancro em crianças

O cancro também ocorre em crianças jovens e adolescentes, mas é raro. Alguns estudos concluíram que cancros pediátricos, especialmente leucemia, estão em tendência de aumento da incidência.

A idade do pico de incidência de cancro em crianças ocorre durante o primeiro ano de vida. Leucemia (geralmente leucemia linfoblástica aguda) é a forma maligna infantil mais comum (trinta por cento), seguida pelos do sistema nervoso central e neuroblastoma. Também são presentes o tumor de Wilms, linfomas, rabdomiosarcoma (surgindo nos músculos), retinoblastoma, osteossarcoma e sarcoma de Ewing. Teratoma é o tumor mais comum nesta faixa etária, mas a maioria dos teratomas são cirurgicamente removidos enquanto ainda são benignos.

Os meninos e meninas possuem essencialmente as mesmas taxas de incidência, mas crianças brancas possuem taxas de cancro substancialmente maiores do que crianças negras para a maioria dos tipos de cancro. A sobrevivência das crianças é muito boa para neuroblastoma, tumor de Wilms e retinoblastoma e para leucemia (oitenta por cento), mas não para a maioria dos outros tipos de cancro.

 

Sinais e sintomas


Células cancerosas.

Basicamente, os sinais e sintomas do cancro podem ser divididos em três grupos:

  • Locais: caroços ou inchaços não-usuais (tumor), hemorragia (sangramento), dor e/ou ulceração. A compressão dos tecidos circundantes no fígado pode causar sintomas como icterícia.
  • De metástase: linfonodos aumentados, tosse e hemoptise, hepatomegalia (fígado aumentado), dor óssea, fratura de ossos afetados e sintomas neurológicos. Embora o cancro avançado possa causar dor, ela geralmente não é o primeiro sintoma.
  • Sistémicos: perda de peso (perda da massa muscular), falta de apetite]] e caquexia (cansaço), transpiração excessiva (suor noturno), anemia e, em cerca de 10% dos doentes, fenómenos paraneoplásicos específicos, ou seja, condições específicas que ocorrem devido a um cancro ativo, como trombose ou mudanças hormonais.

Cada sintoma na lista acima pode ser causado por diversas condições.O cancro tanto pode ser uma causa comum ou rara para cada item.

Poderá haver ocasionalmente crescimento de massa interna com obstrução de canal natural, como por exemplo os tumores no pescoço que podem causar falta de ar ou dificuldade de deglutição.

 

Diagnóstico


 A maioria dos cancros são inicialmente reconhecidos por causa de seus sintomas e sinais ou através de exames. Nenhum dos dois leva a um diagnóstico definitivo, que geralmente requer a opinião de um patologista.

Investigação

Raio-X de tórax mostrando cancro de pulmão no pulmão esquerdo.

Pessoas com suspeita de cancro são investigadas com exames médicos. Estes geralmente incluem exames de sangue, radiografia, tomografia computadorizada, endoscopia entre outros.

Biopsia

Um cancro pode ser suspeitado devido diversas razões, mas o diagnóstico definitivo da maioria dos casos malignos deve ser confirmado através de exame histológico das células cancerosas por um patologista. O tecido pode ser obtido através de uma biópsia ou cirurgia. Muitas biópsias (como aquelas da pele, mama ou fígado) podem ser feitas em um consultório médico. Biópsias em outros órgãos são realizadas sob anestesia e requerem cirurgia em uma sala de operação.

O diagnóstico do tecido indica o tipo de célula que está proliferando, sua graduação histológica e outras características do tumor. Toda esta informação reunida é útil para avaliar o prognóstico do paciente e escolher o melhor tratamento. A citogenética e a imuno-histoquímica podem fornecer informações sobre o comportamento futuro do cancro (prognóstico) e melhor tratamento.

 

Causas


Carcinogénese

Fatores desencadeantes

Fatores que aumentam o risco de cancro são vários e incluem a exposição excessiva à radiação solar (cancros da pele), alguns vírus (cancro do pénis, colo do útero, alguns linfomas). No entanto as causas preveníveis mais importantes do cancro são o tabagismo (cancros do pulmão, cancro da bexiga, cancro de laringe, cancros da cavidade oral) e o alcoolismo (cancro do estômago e do pâncreas).

A alimentação com excesso de gordura também parece ser um factor de risco importante para muitos cancros.

Cancro como doença genética

O cancro é fundamentalmente uma doença genética. Em células normais, o crescimento celular é controlado por diversos fatores, ou hormonas, libertadas por células adjacentes ou distantes. Deste modo um tecido consegue crescer ou atrofiar em resposta a demandas aumentadas ou diminuídas da sua função.

Há vários fatores que promovem o crescimento e multiplicação celulares, sistémicos como a hormona do crescimento, hormonas da tiroide (t3/t4), insulina, e fatores locais como citocinas.

A progressão do cancro não é mais que a inativação de determinados genes e a híper-expressão de outros, dando origem a células largamente independentes da regulação local e central do organismo, que se dividem sem inibição. Outras mutações noutros genes poderão então dar às células neoplásicas novas capacidades invasivas, já que todas as células do organismo possuem o genoma completo e portanto a capacidade de produzir qualquer proteína, desde que os genes correspondentes sejam ativados (neste caso por mutação). Assim, uma célula da cartilagem (condrócito) neoplásica pode sofrer mutação que lhe permite formar proteínas que provocam a formação de novos vasos sanguíneos, apesar de este gene nunca ser expressado na célula normal.

Várias síndromes de cancro familiares são causados pelo facto de que nessas famílias algum gene importante na progressão ou iniciação tumoral já estar mutado. Mais frequentemente estão mutados os genes de supressão tumoral (ver adiante) em que são necessárias duas mutações em ambas as cópias (uma do pai, outra da mãe) para haver inativação. Se o indivíduo herdar do pai uma cópia defeituosa, é muito mais fácil ocorrer apenas a mutação na cópia materna que nos dois alelos.

Um dos factos mais intrigantes em oncologia é a restrição de determinadas mutações a determinados tipos de cancro. Quase todos os cancros têm apenas uma, duas ou três vias de progressão com mutações de determinados genes, enquanto noutros órgãos a progressão se dá por mutações em genes diferentes. Este facto será talvez porque em determinados tecidos funcionam principalmente determinados oncogenes e genes supressores tumorais, e não outros, mas a causa exata permanece obscura.

ADN e mutações

A atividade de cada célula ou tecido é dirigida pelo seu ADN. Ao longo da embriogénese, à medida que células cada vez mais diferenciadas se originam do zigoto, alguns genes tornam-se ativos enquanto outros são silenciados, de acordo com a função final da célula. Mas cada célula mantém sempre uma cópia do genoma completo no seu núcleo. As cadeias de ADN são frágeis e facilmente são modificadas por químicos ou radiação. Existem contudo proteínas reparadoras de erros do ADN que reduzem a taxa de erros ou mutações a um mínimo. A maior quantidade de erros ocorre aquando da divisão celular, devido à necessidade de duplicar cada cromossoma, de modo a que cada célula filha tenha uma cópia. Continuam, contudo a ser feitos alguns erros, uma simples base movida já constitui uma mutação. Ao longo da vida, milhões de células do nosso corpo sofrem pequenas mutações, essas células normalmente se auto-destroem ordenadas pela atividade de proteínas geradas a partir de genes anti tumorais do ADN como por exemplo o p53.

Nenhuma célula se torna neoplásica apenas com uma mutação. Normalmente são necessárias várias para haver desregulação do ciclo celular e proliferação excessiva, e ainda mais outras para que haja invasão dos órgãos adjacentes ou distantes.

A mutação não-letal do ADN constitui a origem do cancro. Qualquer célula se for sujeita a lesões extensas no seu ADN morre, uma vez que genes fundamentais à sua sobrevivência serão lesados. As células estão mais vulneráveis às mutações aquando da divisão celular com duplicação do ADN. É esta a base da radioterapia: se as células tumorais se dividem muito mais rápido serão mais vulneráveis à radiação letal. Contudo a radiação ou outros insultos em pequenas quantidades menos provavelmente danificarão genes fundamentais, mas com igual probabilidade afetarão genes que estejam envolvidos na regulação da proliferação celular.

O ADN é um polímero com quatro tipos diferentes de bases: adenina, timina, guanina e citosina. A série de bases é traduzida em sequências proteicas de acordo com os tipos de bases (cada aminoácido corresponde a uma série de três bases). Diferentes sequências de aminoácidos com diferentes propriedades químicas levam a diferentes comportamentos das proteínas. A substituição ou eliminação de uma única base pode levar a proteínas diferentes, mais quantidade produzida de uma proteína ou silenciamento do gene.

Outros tipos de mutações são as quebras cromossómicas, que são reparadas por vezes com troca dos fragmentos quebrados em cromossomas diferentes do habitual, com efeitos a nível da expressão génica.

Existem várias proteínas que corrigem os erros no ADN. Se os genes destas proteínas sofrerem mutações, elas podem ser inutilizadas, ocorrendo maior taxa de mutações subsequente- fenómeno denominado instabilidade genética.

Causas das mutações

A mutação do ADN pode ser devida a vários fatores:

  1. Radicais livres: radicais livres são moléculas de 02. O corpo humano utiliza apenas um átomo de oxigénio da molécula e o átomo restante (chamado de radical livre) leva a oxidação às células, mais especificamente no ADN. Isso leva a mutações e à oxidação da célula.
  2. Radiação: a radiação UV provoca diretamente danos do ADN, com formação de dímeros de bases. Estes são corrigidos sem problemas a maioria das vezes, mas podem ser reparados erroneamente com substituição por uma base diferente. A radiação de alta energia (raios gama, beta e alfa) também causam mutações. A origem mais significativa desta radiação não são as centrais ou acidentes nucleares, mas sim a radiação cósmica, partículas geradas em buracos negros ou supernovas que viajam milhares de anos-luz acabando por causar cancros nos seres-vivos da Terra.
  3. Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos: os hidrocarbonetos como aqueles presentes em qualquer tipo de fumo (tabaco principalmente), causam mutações no ADN. São os mais potentes carcinogénicos presentes em significativa concentração nos ambientes humanos.
  4. Outros químicos: por exemplo arilaminas (corante industrial) no cancro da bexiga, aflatoxina (toxina de fungo presente em alguma comida bolorenta) no carcinoma hepatocelular.
  5. Irritação crónica: a irritação crónica com morte e divisão celulares constantes leva a maior taxa de mutações devido à maior probabilidade de erros no ADN quando da sua replicação durante a divisão celular. Por exemplo a hepatite crónica por alcoolismo, a pancreatite crónica por alcoolismo ou a cistite crónica por infeção.
  6. Vírus: alguns causam mutações no ADN ao inserirem o seu genoma no da célula de forma arbitrária, ou ao produzirem proteínas que estimulam a proliferação da célula a partir de oncogenes do genoma do próprio vírus. Alguns exemplos são o vírus Epstein-Barr, que causa a doença do beijo (alguns tipos de linfomas e carcinomas nasofaringeais), Papilomavirus, que causa a verruga e o condiloma acuminado (carcinomas do pénis e colo do útero), HTLV-1 (linfoma de células T), vírus da Hepatite B e C (carcinoma hepatocelular), vírus do sarcoma de Kaposi (um vírus da família do Herpes que causa cancro nos vasos de imunodeprimidos, em especial na SIDA.
  7. Bactérias: a infeção do estômago crónica com Helicobacter pylori predispõe ao desenvolvimento de cancro do estômago e a linfomas associados à mucosa (MALTomas).

De uma forma ou de outra, o tumor é basicamente iniciado quando há um dano no ADN causado por quaisquer dos fatores acima, e que não é reparado por sistemas de reparação de ADN existentes em todas as células, gerando uma mutação. Dependendo do local em que a mutação ocorre na molécula de ADN, este defeito pode causar um desequilíbrio no ciclo celular, desencadeando uma reprodução acelerada e descontrolada de células.

Genes tipicamente mutados no Cancro

Qualquer tumor é constituído pela progénie de uma única célula que acumulou mutações em genes suficientes para evadir os mecanismos anti tumorais e para ganhar autonomia na replicação.

Existem basicamente quatro classes de genes importantes na patogenia do cancro:

  • Oncogenes: são genes que normalmente estão envolvidos na proliferação celular (quando são normais são proto-oncogenes). Se sofrerem mutações que aumentam a sua atividade transformam-se em oncogenes, e aumenta a proliferação celular. Assim por exemplo um recetor ativado por uma hormona de crescimento é um proto- oncogene, mas se o gene desse recetor for mutado de modo a que o recetor passar a estar ativado mesmo sem hormona ligada, é um oncogene e há proliferação independente da hormona. Normalmente basta uma destas mutações numa das duas cópias de cada gene em cada célula para ser eficaz -mecanismo dominante.
    • Alguns exemplos de oncogenes:
      1. MYC: fator de transcrição nuclear pró-proliferativo. Mutação pode aumentar a expressão deste gene e a proliferação.
      2. RET: recetor celular que pode sofrer mutação e tornar-se autónomo^.
      3. RAS (gene): proteína de transdução de sinal proliferativo que se pode tornar autónoma (produzindo continuamente sinal).
  • Genes de supressão tumoral: são genes que suprimem a proliferação caso detetem anormalidades celulares. São necessárias duas mutações que os inativam, uma em cada cópia do gene, já que um gene é capaz de funcionar mesmo se o outro for inativado -mecanismo recessivo.
    • Alguns exemplos:
      1. Recetor do TGF-beta: recetor que inibe o crescimento celular em resposta à citocina TGF-beta.
      2. RB: regula o ciclo celular.
      3. NF1: inibição da trandução de sinal proliferativo pelas RAS.
      4. APC: inibe a transdução do sinal proliferativo.
      5. p53: inibe crescimento e multiplicação celular se detetar danos do ADN. Promove reparação dos danos e caso esta não seja possível, desencadeia a morte celular programada (apoptose).
      6. p16: inibe multiplicação celular de modo relacionado com p53.
  • Genes que regulam a apoptose: genes que promovam a apoptose podem sofrer mutações (em ambos os alelos) inativantes; enquanto genes que inibem a apoptose podem sofrer mutações que os tornam hiperativos.
    • Alguns exemplos:
      1. p53: também pertence a esta classe porque promove a apoptose caso os danos do ADN sejam incorrigíveis.
      2. BCL2: protege a célula da apoptose. Pode sofrer mutação inativante.
      3. BAX: promove a apoptose.
  • Genes da reparação do ADN: se estes genes estiverem inativados, a taxa de mutações passa a ser muito maior, e portanto a probabilidade de haver mutações em outros genes das classes discutidas acima é maior -instabilidade genética.

 

Progressão


 

Exemplo de progressão do câncer/cancro.

Há várias etapas na progressão de um cancro invasivo a partir de uma célula normal, cada etapa correspondendo a novas mutações num subgrupo das células que partilham a mutação anterior:

    1. Proliferação independente: uma célula ganha mecanismos internos de estimulação ao crescimento em vez de responder a hormonas externas (mutação num oncogene, e.g. RAS). Esta célula multiplica-se.
    2. Insensibilidade a fatores inibitórios externos: uma célula das que tinham a mutação 1 sofre duas novas mutações (em ambas as cópias do gene) que a liberta de fatores que inibem a proliferação, como produtos de genes supressores tumorais. Esta célula multiplica-se ainda mais rapidamente.
    3. Evasão de apoptose: uma das células em 2 sofre mutações nos dois genes que levam grande número das suas células-irmãs não mutadas à apoptose (morte celular). Esta célula divide-se na mesma velocidade mas as suas células-filhas sobrevivem em muito maior número.
    4. Defeitos na Reparação do ADN: inativados os genes de reparação de ADN numa célula das de 3. Esta célula divide-se à mesma velocidade mas as suas células filhas acumulam novas mutações muito mais rápido.
    5. Proliferação Ilimitada: uma das células de 4 ganha capacidade de estender os seus telómeros: a sua divisão é ainda mais rápida.
    6. Angiogenese: uma célula de 5 ganha capacidade de secretar proteínas que chamam a criação de novos vasos sanguíneos -menos necrose das suas células filhas devido à isquémia (má irrigação sanguínea de um determinado órgão ou tecido devido a obstrução de vasos e artérias) e novas vias de disseminação.
    7. Habilidade de invasão e metastização: ganho de função de genes que degradam a cápsula (colagenases entre outras enzimas), ganho de função de genes correspondentes a recetores membranares (silenciosos nas células normais progenitoras) que permitem a invasão dos vasos sanguíneos ou linfáticos. Perda da adesividade das células umas às outras (inativação dos genes correspondentes às proteínas ligantes, como as integrinas).
    8. Estabelecimento de células filhas em outros locais do corpo e crescimento de massas neoplásicas nessas localizações- metastização.

Anatomia patológica

O aspeto microscópico das neoplasias malignas é variado. A maioria é pouco diferenciada, ao contrário da maioria dos tumores benignos, ou seja, as células neoplásicas mais malignas têm mais aspeto de células embrionárias sem diferenciação típica ou de diferenciação caótica do que do tecido ordenado de onde provêm (anaplasia). No entanto alguns tipos de cancro podem apresentar aspeto bem diferenciado, por vezes até funcional. Ultimamente a distinção entre neoplasia benigna e maligna só pode ser feita através da deteção de indícios de invasão de outros tecidos. Assim, um tumor que infiltre a sua cápsula (por vezes colorida com tinta da china para mais fácil identificação) será maligno, assim como um tumor não encapsulado que se mistura livremente com o tecido normal. Invasão dos micro vasos sanguíneos e/ou linfáticos por células neoplásicas é considerado prova de invasão e carácter maligno do tumor.

Algumas características gerais que distinguem células neoplásicas provavelmente malignas de células normais ou benignas: pleomorfismo celular (várias formas de células no mesmo tecido); grandes núcleos relativamente ao citoplasma; núcleos com formas diversas; células gigantes com vários núcleos; nucléolos prominentes; mitoses em elevado número; áreas de necrose e/ou apoptose extensas.

Um tumor epitelial ainda que não invasivo, que apresente várias destas características é considerado maligno com elevada probabilidade de invasão subsequente se não for retirado -é um carcinoma in situ.

As indicações da anatomia patológica baseiam-se, mais que em diagnósticos exatos definitivos, em probabilidades de prognóstico de acordo com as características. Estas probabilidades foram determinadas em estudos exaustivos. É mais uma ciência empírica que conhecimento de causas profundas que correlacionem as características ao prognóstico.

Neoplasia e cancro

Carcinogénese

Basalioma.

Os tumores neoplásicos são qualquer massa de células que surge por divisão inapropriada de uma célula mãe original (multiplicação clonal), na qual a expressão dos genes que regulavam essa divisão estão alterados. Cancro é entendido como a grave situação patológica clínica que é gerada por uma neoplasia, a qual é classificada como maligna devido à situação clínica potencialmente fatal que origina.

O tumor maligno ou cancro distingue-se do tumor benigno principalmente porque o primeiro põe a vida do doente em risco mas o segundo geralmente não. A grande maioria dos tumores malignos é invasivo, e é a sua infiltração progressiva de estruturas adjacentes, ou distantes através de metástases que cria disfunções nos órgãos invadidos e reações imunitárias às lesões que levam à insuficiência ou má função de órgãos vitais e à morte. No entanto, nem todos os cancros são invasivos. Alguns tumores são considerados malignos apesar de serem em tudo semelhantes aos benignos porque produzem graves danos pela produção de hormonas (e.g. feocromocitoma), enquanto outros comprimem órgãos devido às limitações ao seu crescimento como tumores do cérebro que não se podem expandir devido ao crânio e acabam comprimindo o cérebro, o que resulta em morte (devido a asfixia após disfunção do sistema respiratório na maioria dos casos).

As neoplasias benignas em geral não se transformam em malignas, apesar de existirem numerosas exceções, e portanto podem ser mantidas no corpo do paciente, mas geralmente recomenda-se a retirada por motivos estéticos.

No entanto em casos raros as neoplasias de comportamento benigno podem levar à morte, se o seu crescimento local, por azar, comprimir mecanicamente uma artéria, veia ou nervo importante, por exemplo.

As células cancerosas podem ainda se soltar do tecido neoplásico original e, através da corrente sanguínea, linfática ou de outros líquidos (peritoneal, pleural) instalar-se em outros órgãos distantes da localização inicial, as metástases. A metastização constitui a fase do cancro cujo tratamento é mais difícil e quando é obtido menos sucesso na recuperação de pacientes. O paciente com cancro deve, sempre que possível, ser operado o mais rapidamente possível para a extração do tecido ou do órgão afetado, seguido de um tratamento de quimioterapia ou radioterapia.

Progressão entre os órgãos

Estômago

Cancro esofágico

O cancro estomacal inicia com o desenvolvimento nas células do epitélio. No segundo estágio o cancro invade o estômago e vai para os gânglios. Afeta a parede gástrica e invadem áreas adjacentes. No último estágio as evidências são apresentadas.

Pele

Cancro de pele

A batimetria do cancro é menor de um milímetro. Quando localizado na área cutânea é maior que dois centímetros. Encontra-se nos gânglios no terceiro estágio. No quarto estágio as evidências são facilmente encontradas.

Colo do útero

Invade o colo pélvico no primeiro estágio. No segundo estágio limita a parede pélvica. No terceiro estágio encontra-se na vagina ou continua na parede pélvica. No último estágio o cancro atinge os órgãos próximos.

Próstata

O órgão produz a enzima PSA. No segundo estágio o cancro apenas fica na próstata. No terceiro estágio fica na cápsula da próstata ou na vesícula seminal. O cancro continua em outros órgãos no quarto estágio.

Pulmão

No primeiro estágio ele é pequeno. No segundo estágio o tumor pulmonar é de três centímetros. No tórax, tem alterações nos linfonodos. No quarto estágio o problema de oncologia atinge o sistema hepático e neurológico.

Cólon e Reto

A parede do reto ou no cólon para as áreas vizinhas. Toma completamente o cólon ou o reto. Espalha-se para órgãos vizinhos. No quarto estágio atinge o fígado, pulmão, cérebro,etc.

Mama

No primeiro estágio o tumor atinge no máximo dois centímetros, invade os nódulos axiliares, atinge os nódulos línfaticos e mamários. No quarto estágio atinge órgãos distantes como ossos, pele, etc.

 

Tratamento


 A dificuldade do tratamento do cancro consiste em fazer a distinção entre as células malignas e as células normais do corpo. Ambas são provenientes da mesma origem e são muito semelhantes, daí não haver reconhecimento significativo por parte do sistema imunitário da ameaça.

Cirurgia

Se a massa for bem delimitada e minimamente invasiva, a resecção cirúrgica é possível, mas já é impossível se o tumor estiver espalhado por todo o corpo, ou em órgãos vitais que não podem ser cortados. Muitas vezes é difícil para o cirurgião determinar a margem em que acaba a neoplasia e começa o tecido normal, correndo o risco de cortar demasiado tecido normal e reduzir a probabilidade de sobrevivência do doente à operação, ou não retirar a massa cancerosa na totalidade, diminuindo a probabilidade de sobrevivência ao cancro.

A cirurgia é então apenas usada no tratamento dos tumores que ainda estão delimitados, por resecção ou retirando o órgão completo (prostectomia no cancro da próstata, mastectomia no da mama). Contudo se o tumor invadir estruturas adjacentes que não podem ser resectadas (e.g. uma artéria importante) o tumor é irressectável.

Quimioterapia

Quimioterapia

Baseia-se no fato de as células tumorais se dividirem muito mais rápido que as células normais. O doente recebe medicamentos (injetáveis; por via oral; em cavidades como a bexiga, o espaço intratecal, o espaço pleural ou o abdómen) que interferem com a síntese do ADN e matam as células em divisão. Contudo, poderão acontecer efeitos secundários (colaterais) naquelas células normais de crescimento rápido, como a mucosa gastrointestinal (diarreia, náuseas, vómitos), folículos pilosos (queda do cabelo) e outros. Mais recentemente, existe uma nova classe de medicamentos chamada de anticorpos monoclonais, que, por terem um alvo molecular específico na célula cancerígena, têm como vantagem serem menos tóxicos para as células normais. Os anticorpos monoclonais podem ser utilizados sozinhos ou em conjunto com as quimioterapias.

Radioterapia

Radioterapia

Também ataca células de crescimento rápido. As células tumorais, como têm défice de proteínas reparadoras do ADN, são mais vulneráveis a doses de radiação de alta energia (raios X e gama). As suas doses letais são mais baixas que as das células normais. No entanto além de efeitos secundários semelhantes aos da quimioterapia, há risco de desenvolvimento de novos tumores, apesar de relativamente pequeno.

Terapia hormonal

Terapia hormonal

O crescimento de alguns cancros pode ser inibido ao se fornecer ou bloquear certos hormónios. Exemplos comuns de tumores sensíveis a hormónios incluem certos tipos de cancro de mama e próstata. Remover ou bloquear o estrógeno ou testosterona é frequentemente um tratamento adicional importante. Em certos cancros, a administração de agonistas hormonais, como progestágenos podem ser benéficos terapeuticamente.

Novas técnicas

Ultimamente têm sido desenvolvidos alguns fármacos específicos que diminuem a atividade de algumas proteínas (traduzidas de oncogenes) cuja alta atividade é importante na proliferação de alguns tipos de cancro.

A leucemia mieloide crónica é inclusivamente curável através da administração desse novo tipo de fármacos. No futuro estes fármacos deverão ser mais relevantes.

A utilização de toxinas acopladas a anticorpos específicos de proteínas membranares comuns na superfície das células do tumor mas não de células normais também tem tido algum sucesso.

Terapias alternativas

Terapias alternativas ou não-ocidentais são frequentemente escolhidas por muitos pacientes cujo prognóstico é sombrio e os custos elevados. No entanto, não há prova alguma de que essas terapias melhorem o prognóstico. Apesar de também não serem geralmente nocivas, elas podem ser efetuadas por quem acreditar paralelamente ao tratamento convencional de opiáceos.

Se for escolha do paciente informado, e apesar de provavelmente não terem nenhum efeito directo, as terapias alternativas poderão ter um efeito placebo, ou seja, o doente acredita que vai melhorar e está comprovado que pacientes mais otimistas e lutadores têm melhor curso da sua doença que os derrotistas. Substituir o tratamento convencional pelo alternativo seria no entanto altamente desaconselhável, já que a medicina moderna já consegue melhorar o prognóstico e até curar muitas formas de cancro, e é impossível dizer ao certo como reagirá um doente à terapia convencional.

Entretanto, devemos pensar sempre no paciente. Se a neoplasia maligna já foi tratada com cirurgia, quimioterapia e radioterapia e não mostrou melhoria, os médicos têm o dever de procurar novas estratégias. Muitos consideram a imunoterapia e a hipertermia como medidas complementares dignas de crédito. Existem muitos trabalhos científicos de bom nível que atestam a eficácia de tais estratégias. Por outro lado, muitas pessoas se curam de tumores usando a fitoterapia. Na verdade muitos medicamentos da medicina convencional foram sintetizados a partir de princípios ativos encontrados no reino vegetal e de uso empírico. Há, ainda, muitos outros que são tratados e curados com estratégias psicoterápicas e até com acupuntura. O paciente tem o direito de escolha e o médico o dever de oferecer alternativas sérias, já estudadas e seguras

 

Prognóstico


 O cancro possui a reputação de ser uma doença mortífera. Enquanto isso é verdade para alguns tipos particulares de câncer, as verdades por trás das conotações históricas do cancro estão cada vez mais sendo superadas pelos avanços no cuidado médico. Alguns tipos de cancro possuem prognóstico que é substancialmente melhor que outras doenças não-malignas como a insuficiência cardíaca e AVC.

Uma doença maligna progressiva e disseminada possui um impacto substancial na qualidade de vida do paciente, e muitos tratamentos de cancro (como a quimioterapia) podem ter efeitos colaterais severos. Nos estágios avançados do câncer, muitos pacientes precisam de cuidado extensivo, afetando membros da família e amigos.

Os pacientes com cancro, pela primeira vez na história da oncologia, estão visivelmente retornando para suas vidas normais. Pacientes estão vivendo mais tempo com a doença persistente, mas silenciada ou mesmo com a completa remissão. As histórias como a de Lance Armstrong, que ganhou o Tour de France após o tratamento de um cancro testicular metastático ou de Tony Snow, que estava trabalhando como secretário de imprensa da Casa Branca dos Estados Unidos apesar de seu cancro de cólon, continuam a ser uma inspiração para pacientes com cancro em todo mundo.

 

Prevenção


 Exames genéticos

O exame genético para pessoas de alto-risco já está disponível para algumas mutações genéticas relacionadas ao câncer. Portadores de mutações genéticas que aumentam o risco de incidência de cancro podem se submeter a uma inspeção mais detalhada, prevenção química ou cirurgias que diminuam o risco. A identificação precoce de um risco genético herdado para o câncer, associada com outras intervenções de prevenção ao cancro como a cirurgia ou inspeções mais detalhadas, pode salvar a vida destas pessoas em alto-risco.

Gene Tipos de câncer Disponibilidade BRCA1, BRCA2 Mama, ovário, pancreático Disponível comercialmente MLH1, MSH2, MSH6, PMS1, PMS2 Cólon, uterino, intestino delgado, estômago, trato urinário Disponível comercialmente

Cura

Recentemente, cientistas da Harvard Medical School, de Boston, divulgaram uma maneira revolucionária na luta contra o cancro.

Segundo o estudo, dirigido por Pier Paolo Pandolfi, em vez de matar células cancerígenas com drogas tóxicas, os cientistas descobriram um caminho molecular que as força a envelhecer e morrer.

As células cancerígenas se espalham e crescem porque podem dividir-se indefinidamente.

A equipa usou para o estudo ratos geneticamente modificados que desenvolveram uma forma de cancro de próstata.

Em alguns deles, os cientistas tornaram inativo o gene Skp2. Quando o rato atingiu seis meses de vida, eles descobriram que os portadores de um gene Skp2 inativo não desenvolveram tumores, ao contrário dos outros ratos da pesquisa.

Quando eles analisaram os tecidos de nódulos linfáticos e da próstata, descobriram que muitas células tinham começado a envelhecer, e também encontraram uma lentidão na divisão de células. Eles obtiveram efeito semelhante quando usaram a droga MLN4924 no bloqueio do Skp2 em culturas de laboratório de células de cancro da próstata.

O estudo em ratos mostrou que o bloqueio de um gene causador do cancro chamado Skp2 forçou células cancerígenas a passar por um processo de envelhecimento conhecido como senescência --o mesmo processo envolvido na ação de livrar o corpo de células danificadas pela luz solar.

A descoberta pode significar uma nova estratégia para o combate ao câncer.

Vacinação

Atualmente existem vacinas para o HPV e o tumor cerebral.

 

Epidemiologia


 Fatores de risco incluem geografia (mais cancro da pele em países tropicais que em nórdicos), etnia, hábitos alimentares, idade avançada e genes hereditários que causam predisposição para o cancro.

Em países desenvolvidos o cancro compete com as doenças cardiovasculares (principalmente enfartes coronários e AVCs) enquanto causa de morte principal. Uma em cada quatro ou cinco pessoas morrerá de cancro nestes países. (2000-2005) nos países do Europa e América do Norte.

  • Cancros mais frequentes no Homem: Carcinoma da Próstata (um terço dos casos), Pulmão (~15%), Cólon e Recto (~10%), Linfomas e leucemias não Hodgkins (~10%), Bexiga (5%), Melanoma maligno (4%), Boca e faringe, Pâncreas, Rim (cada um 2-3%), outros (~20%).
  • Cancros mais mortais no Homem -percentagem das mortes por cancro: Pulmão (~30%), Colon e Reto (~10%), Próstata (10%), Leucemias e Linfomas não Hodgkins (~10%), Pâncreas (5%), Bexiga, Fígado, Rim, Esófago (cada um 2-3%), outros (~20%).
  • Cancros mais frequentes na Mulher: Mama (um terço), Pulmão (~10%), Cólon e Reto (~10%), Útero, Tiroide, Pâncreas, (cada um 2-3%), outros (~20%)
  • Cancros mais mortais na Mulher: Pulmão (~25%), Mama (~15%), Cólon e Reto (~10%), Linfomas e leucemias não Hodgkins (~10%), Pâncreas (~5%), Ovário (~5%), Útero (~4%), outros (~25%). Em Portugal os dados são semelhantes, à exceção do cancro do estômago que é muito mais comum devido a maior prevalência de Helicobacter pylori e alcoolismo. No Brasil e na África as incidências são bastante diferentes. Os cancros do Pulmão e da Bexiga são na sua maioria causados pelo Tabaco. Uma em oito mulheres terá cancro da mama, no entanto a maioria dos casos é diagnosticada num estágio curável.

 

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